sexta-feira, dezembro 05, 2008

.e não me acomodar com o que incomoda.

Vi um filme, "holy smoke", traduzido erroneamente como Fogo Sagrado e ambos colocados erroneamente como título de uma boa produção cinematográfica com ótimos atores e péssimo roteiro.
Pronto, falei de algo palpável de forma suscinta e direta.
Satisfeito? Eu não.
Sei que você sempre me diz que sou péssima ao tentar colocar verbos em frases e que se tirassem os adjetivos da minha vida eu ficaria muda. Ah, sei também que você jamais admitiria que disse isso e que eu estou borboleteando seus comentários...Mas lamento lhe decepcionar, vou falar sobre inebriações;

Essa fumaça morna que vem,
completa um vazio sedento por quem
procura algo de novo no "vem".
Vai vir até a mente e despertar mistérios,
vai chegar até os olhos e confundir os tédios,
vai passar pela memória e esclarecer bobagens,
vai então usurpar as formas cansadas dos mesmos nomes.

e eu acho que tenho certeza daquilo que eu quero agora...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Long Playing life...

Microfonia
Chiado
Estática
Estátua!
Buzina
Britadeira
Explosão
Fone de ouvido!
Mozart
BB King
Pink Floyd
The cure
Legião!
Brisa
Mar
Riso
Folhas
Pássaro
Que progressão desconexa, 
perturbadora, irritante, calmante,
saudosa, indignada,
adjetivada demais.

quinta-feira, novembro 13, 2008

.InCONseqüênTENTE.


"Eu rio na cara do perigo!" (O filho do rei leão)

Se protegem demais,
se projetam demais,
se procastinam por muito pouco
e muito nada vale quando insegurança é gerada pelo excesso da necessidade por segurança.

Deixa queimar,
deixa arder,
doer,
sangrar,
cortar,
morrer.
Que sem esses desabores não somos nada senão bibelôs empoeirados.

E poeira faz espirrar,
pode dar alergia,
pode até matar!
Limpa logo para não infeccionar!
Se comer isso dá câncer, se comer aquilo previne, e aquilo outro cura.
Ei, aquilo isso e aquilo outro não são, pois, a mesma coisa?
(que a gente usa pra designar o que não entende, mas tá na sabedoria popular)

Ah, são só receitas.
Ninguém te ensinou a brincar.
Gargalhada também é natural,
abraço então nem se fala.
Ficar na chuva dá pneumonia.
Tá chovendo,
com licença, 
vou lá fora me empneumoniar.


sábado, novembro 01, 2008

Assassinaram a lógica

O que faz do fósforo um fósforo e da vela uma vela quando estão apagados?
E se água faz o gelo, aonde ele aguarda o congelamento?
A física é cruel demais com a lógica das palavras.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Para que o costume não se perca


Não me canso de metaforizar, descrever, elogiar, ressaltar, 
e me encantar 
com o delicado e bruto movimento das borboletas.

Um movimento tão completo e harmônico quanto uma dança;
 passo a passo, crescente, envolvente:
 necessário e urgente em cada detalhe.

Cadência imaculada e evolução assistida e persistente... 
Rastejante, difícil, mística... 
Recolhe-se, medita, prepara-se, espera, aguarda paciente um par de asas,
liberdade concedida pelo vento.

Liberdade provisória é válida e bela nesse caso. 24horas. 
Ela atinge o máximo de sua evolução, 
frágil e destemida é brinquedo para o vento
 e colírio para os olhos...

Borboleta, borboleta, 
borbulha a letra ao querer contê-la em palavras...

quarta-feira, outubro 01, 2008

..:: Muito barulho por nada ::..



Barulho

Fazer barulho é necessidade insaciável do espírito inquieto. Contudo, existem vários tipos de barulho:

Aquele que está dentro e sempre acompanha os devaneios da mente.

Aquele que não faz diferença que, de tão cheio, ficou vazio.

Tem também aquele barulho de desabafo que pode ser um trombone ou um suspiro, mas a intensidade do alívio é que conta.

Tem barulho que é abusado, incômodo, insistente, que a gente pede para ir embora, quase implora, mas aí é que ele fica, fazendo barulho no silêncio desesperador da procura (por sabe-se lá o quê).

...do próprio silêncio quem sabe. Aquele que calado espera por uma provocação ou razão para se mostrar.

Designificações das coisas e dos seres


Recompensa


Obrigado não me basta. Até por que é uma palavra horrível; lembra contravontade, função irrevogável, obrigação mesmo.

Sorriso é bem melhor, claro. Mas ainda não é isso.

Bom mesmo é aquele olhar, aquela inclinada que a cabeça dá querendo que o ombro explique o porquê da gratidão.

Mas ombro não fala. Bom de verdade é não precisar provar, é deixar o gesto solto, sem ter que que autoafirmar. 

Melhor ainda é ter no sorrriso um conforto, é ser o sorriso a gratidão eterna por um gesto finito que se eterniza no tremor que dá por dentro quando as buchechas se contraem...

terça-feira, setembro 23, 2008

Cronicando 2

Morfologia em Pane

Começam mudando o nome: Monte Pascoal, Ilha de Vera Cruz, Terras de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália... Aí mudam o sistema político, a organização social, o destino das árvores, o fuso horário, a língua !!!
Guarani era uma língua legal sabe, Tupi é lindo! Tem origem Celta e dizem que até Fenícia ! Mas história não vem ao caso, talvez ao ocaso.
Gramática é a questão. Eu estudei os verbos de ligação, decorei a regência verbal, e tenho as regras de acentuação martelando minha memória de todos os jeitos possíveis!
Fiz musiquinha, esquema de cores, enumeração, e todas as outras técnicas possíveis e imagináveis de memorização. Portanto, estão bem gravadas aqui (ocupando o espaço de um poema talvez).

Mudei meu nome!!! Sim, para os que foram desafortunados como eu e o escrivão do cartório não decorou os esquemas de acentuação: tive que mudar a grafia do meu nome! Hiato, seguido ou não de 's', leva acento! Portanto, Laís tem acento!

Agora, depois daquela balela toda de independência, vem de novo um português me dizer pra tirar o acento da feiúra? Tirar a trema da lingüiça? E "para pôr", vai poder ser "pára por" ou "pára por" ou ainda "para por" ?! (Se é diferencial o acento, é porque tá lá justamente para diferenciar...).
Hoje são os acentos das palavras. Daqui uns dias são os assentos da ABL - que ao contrário do que o título "imortais" sugere, deixam suas cadeiras sim, deixam também os nomes, mas apenas quando saem da vida...

Mudar regras não é bem assim. Não dá pra simplesmente substituir sem deixar resquícios, sem causar choque e confusão. É como se, partino de hoje, todos devessem ter cabelos compridos. Levará tempo para deixar crescer, causará desagrado (principalmente aos homens que não saberiam conviver com o "cabelo de dia de chuva"), e surgiria resistência.
É claro que as regras e leis devem adaptar-se ao seu tempo sócio-histórico; mas as palavras, coitadas, de tão usadas se tornaram pedras, muralhas, carimbos. Significados tão atrelados aos sentimentos de tantos escritores que seria impossível idéia significar ideia.



Cronicando 1

Durante um tempo vou apenas cronicar. Cotidianamente deturpar histórias possíveis e improváveis, ou prováveis e inimagináveis. Enfim, a primeira de muitas: 

Solidão a Dois

- Ele chegou! Ele chegou!

A porta range, um dedo aperta o botão piscando na secretária eletrônica. Como um café seria bom agora. Dentro do armário apenas variações de cores do mesmo produto (macarrão instantâneo), e nada de café.

-Ei, como foi seu dia? Que bom que você chegou, esperei o dia todo por você. A campanhia tocou quatro vezes e telefone oito. Eu fiz o que pediu, não subi na sua cama... Por que você não olha pra mim?

Ainda tem capuccino. Ah, um café vai ser bom. Os oito recados acabaram, nem prestei atenção, vou pôr de novo enquanto ligo a água do banho. Como ela me faz falta. Que cheiro estranho, será que é o lixo? Ela faz falta mesmo. Não é possível que eu tenha que tirar todo dia!

-Olha, achei sua meia, tomei cuidado para não deixá-la ainda mais úmida. Eu estou faminta, mas tão feliz de vê-lo; um pouco velha para dar tantos pulos consecutivos, mas tudo bem, por você vale a pena... Se ao menos você me pegasse no colo como ela fazia, como você fazia com ela...

Deixei a banheira transbordar outra vez. Quando ela estava aqui dava tudo tão certo...Ainda não me livrei das fotos, livros, perfumes, cds. E a cadela ?! Tem os olhos dela, não consigo nem olhar. Acho que ela quer comida. Será que existe asilo para cachorro? Tenho que me desfazer de tudo que era dela; meu psicólogo disse que é para deixar o amor se desfazer, aos poucos... E cadê o outro lado da minha meia?

segunda-feira, setembro 22, 2008

.. Amo ..

Se um dia eu for metade de quem essa cadela pensa que eu sou, estou realizada na vida.
Amor incondicional, leal, verdadeiro,
sem interesses, sem defeitos, sem proibições,
sem porém, sem cobrança,
sem adeus,
só de cão.
Tá, às vezes a gente acha uns cachorros dipostos a idealizar um novo amor,
mas depois de um tempo eles latem, a gente morde e eles fogem.
Comemoro internamente quando chego em casa depois de um dia de muito ônibus, cadeira e teclado. Mas quem festeja mesmo é a cadela, ela pula e late e rodopia de verdade.
Pudera eu expressar minha festa interna com a mesma verdade com que ela o faz.
E se ela não gosta, rosna.
Se quer comer, pede.
Se precisa de banho, rola na grama e vem me mostrar que está se sentindo suja.
Se não gostou da música, sai do quarto e não volta até eu trocar.
Se não gostou do novo namorado, não deixa ele chegar muito perto de mim.
Se a crônica da noite não ficou boa, ela boceja me mandando dormir.
Queria eu poder ser prática, objetiva e sincera.
Um dia eu chego lá,
já me permito uns minutos a mais na cama,
já decido com mais convicção,
já festejo com mais intensidade,
Ainda não consigo afastar os maus namorados, mas já não depende só de mim.
O comportamento canino da Nina é um exemplo para a humanidade,
disso meu librianismo não duvida.