Terça-feira, Novembro 03, 2009

.Escola.


Para transformar as ondas em som é física
Para explicar felicidade é química
Para definir amor, não tem matéria

Sem ilusão na poesia batida do dia a dia
A palavra ficou gasta
O sentimento, talvez por isso, as vezes mudo.

Mesmo com a Lua cheia e âmbar às seis horas da tarde
Falta a voz, a presença, o abraço.
O céu me basta.
A luz me inebria
me completa,
me abastece.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

ÀS VEZES


Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?

Álvaro de Campos

Um pouco de referência para me fazer entender - o que leio é poesia, porque então o que eu escrevo seria diferente?!

Sexta-feira, Outubro 16, 2009

Pés no chão?

A recusa de criar raízes fez isso comigo:
Pés de chumbo de tanto saltar e brigar com a gravidade
Coração de aço de tanto insistir no salto
Cabeça dura pelo excesso 'nãos' vindo dos bancos das academias
Amor a terra por criar o ar
Paixão pela água por me transformar
Fogo queimando cada vestígio de recusa ao que o destino preparar


Terça-feira, Outubro 06, 2009

Tem um pouco de loucura no silêncio
Quando o grito pensa que pode mostrar rebeldia,
é o silêncio quem na verdade esconde desespero.

Aguardar em silêncio e receber silêncio em troca.
Que falta faz sentir as cordas vibrarem
Que falta faz ouvir um som que não é

Fica o pensamento enganando movimento
Fica a vontade de...
Fique a vontade

Paciência.
Falta-me espelho para enxergar tanta paciência,
Mas tenho, terei, tive.

Até pensaria em algo melhor para dizer
Mas estou em jejum de palavras,
em silêncio

Quarta-feira, Setembro 16, 2009

..sssstay..

Mora nela uma liberdade sem tamanho, sem definição e sem necessidade.
é que o que tem dentro já extrapolou e está fora,
e o que ela quer ainda não está preso dentro de letras.
Talvez o que ela queira é só sair por aí dançando com o vento
e se errar o ritmo sentar numa pedra bem alta e esperar a próxima brisa.
Leve que nem filhote de borboleta.

Terça-feira, Setembro 01, 2009

Introibum ad...

Nos delimites do corpo encaixa o infinito

Do pequeno que parte com destino ao átomo que simboliza o que não se sabe explicar.

É que a gente faz da ciência um cálculo exato, mas ela precisa do fascínio para existir.

Negar a amplitude, negar a beleza, negar tudo que vai além do globo...ocular...planetário...
Seria fácil demais.

Um coração de criança que insiste em acarinhar luzes, em jorrar reflexões.
Vão julgar louca, lisérgica e fora do real... Mas... Isso importa a quem exatamente?

Não quero o que está teorizado, mas o que não se pode explicar
Essa inquietude tem feito meus dias válidos
Somada as surpresas cotidianas quase fúteis que fazem renascer o assombro do olhar infantil.

Há que se moldar a um espaço que extrapola qualquer entendimento
Há que se viver sem planos em vários planos
e saltar... A cada instante de braços abertos ao desconhecido

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Brumas


"Bons ventos para nós..."

Que o som é eterno
Que o vento vibra e fala
Que o tempo não importa
Que o importante é o caminho
Que o legal é mudar o destino

Frases de impacto que parecem verdades irrefutáveis.

Isso também passa...
Fica o vento gelado nas orelhas
As reflexões ao pé do ouvido
Conversas de assuntos perdidos e mesclados na noite
Risadas pelas semelhanças e desencontros
Olhar fixo e um silêncio e duas gargalhadas
A gente entende de número

Hora de ir embora
Fica o brilho, a vontade
O sorriso esperto de quem entendeu cada entrelinha
A vontade de ver mais
De ouvir tudo novo de novo
De cantar as misérias da vida alheia
De reencantar com cantos antigos
De se apegar...

"Tempo de dar colo, tempo de decolar,
O que há é o que é e o que será nascerá"




Domingo, Agosto 02, 2009

.Papel.


Quis fazer do palco realidade.
mas o papel é frágil demais, se molha e dissolve...
no tempo, na memória, em um texto amassado e empoeirado numa caixa de lembranças.
Mesmo assim sempre vale a pena.
Caracterizar-se do que não é, fingir e mentir pela arte, habitar um mundo que não é seu
E contar a todos como é, lá do alto do palco:
o que se vê a frente, a luz esquenta e cega, o público com expectativas, o horizonte imaginário, a altura mínima que separa o abstrato do real
Sempre vale a pena
Deixar a vida menos triste, menos feia
A luz apaga, o público vai embora e a peça morre
o palco volta a ser um nada a disposição
de uma nova história, de uma nova ilusão.
Os atores são um detalhe, cavalos de pensamentos alheios
Alheios, mas não indiferentes.
Há de se abraçar o personagem como se abraça um travesseiro - um conforto necessário e passageiro.
Aplauso
Então vem o agradecimento e o ator volta a ser humano
que ser é esse que troca de nome, ideia e sentimento em tão pouco tempo?
a magia acaba
Mas após as três campanhias (em um outro dia) tudo volta novamente,
chamando os artistas para adentrarem uma casa de ninguém e criar um mundo com hora marcada para acabar...em aplausos
Um som que extrapola a compreensão e gera lágrimas de contentamento
Talvez o corpo não cabendo mais em si porque dividira espaço com alguém que não era ele, e que agora se vai... em aplausos
Simples assim

Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz...
E põe suas estrelas no azul... Pra que mudar?!

Terça-feira, Julho 14, 2009

...::: Lisergia :::...

Parece que desacreditam a poesia a todo cotidiano que se repete.
Posso ser reduntante, posso exagerar, posso omitir e inventar.
Que limites existem entre as palavras?
Um dia definiram o deserto como "estéril e desabitado"
Seria infecunda uma terra que desperta girrassóis e lótus?
Seria desabitada uma paisagem que desperta encanto e fascínio?
Parece que as definições da humanidade andam desequilibradas, insensatas e incoerentes.
E depois a poesia é que é subversiva, a poesia é que mente e exagera, a poesia que extremiza e vitupera.
Quebro a moral vigente com traços curvos de palavra.
Grito no silêncio para uma flor que existe em mim e suas raízes é que me ouvem.
Parece que no deserto interior de cada um tem uma planta que só precisa de um verbo, uma luz ou um pouco de calor...
São todos iguais, afinal. Vibração espacial ao acaso.
Som é eterno.
Como todo o resto que perturba o ar.
A eternidade dá medo, mas parece tão nobre...

"É porque sempre tento chegar pelo meu modo.
É porque ainda não sei ceder.
É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é.
É porque ainda não sou eu mesma,
e então o castigo é amar um mundo que não é ele..."

(Clarice Lispector)

Terça-feira, Junho 30, 2009

..Elegance..

Apagando as pegadas atrás de mim com fogo e água.

Já passei por aqui, mas agora não evidencio meus passos.

A menos que o vento congele, são asas batendo desgovernadas.

Com objetivo, mas sem pistas.

Se apago uma vela, acendo um incenso.

Se fecho a torneira, mergulho no rio.

Se faço de novo, mudo o fim.

Vôo de borboleta derretendo os icebergs que ainda não são.

Fugindo do que um tal de destino prepara.

Existir é fácil demais, por isso vivo.


"As falhas dos homens eternizam-se no bronze, as suas virtudes escrevemos na água"

(William Shakespeare)

"Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo"

(Mahatma Gandhi)