
A casca vermelha-amarelada já anunciava onde acabaria a história. O mesmo cheiro, a mesma textura, o formato também, igual. Era ela quem mais uma vez estendia o braço oferecendo e ele quem hesitava antes de aceitar de novo. No momento em que o sabor suculento daquela maçã atravessasse o limite das papilas da língua estava feito o estrago novamente...
Nessa nova temporização cortou-se um personagem. A má ideia não partiu uma serpente e o grito de "heresia" não veio do alto acompanhado de raios e trovões. Era de dentro deles que brotava a culpa. Todo o injusto peso da moral rompida afundava o pouco que restava da esperança. Expulsão de si mesmos. Como uma borboleta que eclode da casca deixando a forma de lagarto. Os dois passariam pelo mesmo processo, porém inverso: tentados pela possibilidade de provar o novo já conhecido, caíram na infração e agora, com as asas do desejo cortadas, teriam de caber novamente no ingrato corpo de um ser rastejante.
Talvez aí a figura da serpente da história original reapareça na narrativa - a criatura que rasteja em silêncio dentro de cada mente humana, aguardando o momento exato para chegar aos olhos e polir uma simples maçã para a visão desatenta. É o que basta para se perder as asas - uma mordida errada, a repetição da história, a ânsia da pressa; e só.
7 comentários:
E o final só depende da gente.
Adoro voltar por aqui...
Beijos
Oi, Lais!
Que beleza...é tri entrar no teu blog e bater com a escrita.
Saudades!!!
Ah, eu sou o autor do blog palavrasdeummundoincerto. Mas por enjoar do layout e saber que na abril tem mais opções de publicações, etc, tenho um novo blog na abril.
É www.blogs.abril.com.br/marcosseiter
Continuo doidão! hehehe
Beijos!!!
Marcos
Perder as asas é tentador
Realmente
Não sei se já perdi ou
Desisti de voar.
E assim surgiu. Repetir a história é só o que basta para perdermos as asas.
Muito bom ler o que vc escreve!
Parabéns!
Estou de volta com o blog:
http://vinho-da-alma.blogspot.com
Beijão!
Adryana Araújo
Não há mordidas erradas. Não há fruto proibido. Há o medo de alguém, quem quer que seja, da árvore do conhecimento.
Sempre houve, fossem Deuses, governos ou déspotas, alguém para temer tamanha liberdade de estender a mão e tomar uma experiência nova para si.
As possibilidades de interpretação desse texto, é o que há de mais fascinante nele... E, de todos os ângulos o resultado é sempre o mesmo:Inteligencia e estética apurada. Eu, um provador nato de frutos proibidos e muito afeito a gostos exóticos, não sei se tenho mais o gosto de vôo ou de quedas na boca, a língua queimada ou com gosto de beijo.
Parabéns
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