domingo, dezembro 27, 2009

Trans sem ência



Um pouco do que sei sobre espiritualidade:

- Tudo que eu disser é contestável
Cada olhar sobre o mesmo assunto gera uma dúvida diferente.
Cada experiência gera tantas conclusões que no final se esquece do objetivo inicial.
Nenhum extremista assume que o é.
Nenhuma doutrina é perfeita.
Mas...
que importa?
Para que servem dogmas senão para limitar a visão?

Um comentário sobre o filme Avatar, para que a realidade não seja mais uma vez ignorada:
"Sou um guerreiro em busca da paz, mas tem uma hora que é preciso acordar"
Acordar não é sinônimo de desistir, e sim de mudar os planos, adequar às novas situações, repensar, replanejar.
Acordar é olhar para cima e acreditar, é olhar para dentro e despertar sem sonho.
Que as conexões sejam refeitas, que a Mãe Terra abrace o que restou de amor na humanidade, que o novo ano seja....Bom.


quinta-feira, novembro 19, 2009

.Me peça.


Mesmo com toda a perfeição e precisão evidentes...
Mesmo com a paixão declarada ao funcionamento do quebra-cabeça,
Devo admitir que existem peças que simplesmente não se encaixam.

Claro que isso é uma metáfora.
Claro que eu quero falar da vida, dos seres, do universo e tudo o mais.
Claro que quero mais uma vez declarar-me às borboletas.
Claro que vim me render à metamorfose.

Das utopias mais saudáveis às mais impossíveis,
uma máxima me guia:
-Porque não?
Movendo objetos, portões, pessoas e até aviões, a falta de resposta convincente a esta pergunta tem rendido várias histórias.

Um dia eu conto tudo movendo alguns rolos de impressão.

Por enquanto vou acolhendo o que tem sido ignorado no mundo e poetizando as belas relações reais.
Quero pessoas com um brio, porque só a vontade é suficiente para mover o mundo.
Começar com menos para não assustar... Uma peça talvez... Apenas me peça, ensino que para montar com perfeição o trabalho tem que ser feito individualmente, sem pular nenhum espaço, encaixando uma a uma...

sexta-feira, novembro 13, 2009

Desenquadramento


Não é que eu vá ficar redonda,
Mas só de tirar as linhas retas e o formato padrão já dá pra respirar melhor.

quinta-feira, novembro 12, 2009

.Cartas Para Não Chover.

Hoje teve uma peça, uma estreia.
Aliás, várias estreias em uma peça;
Vi um parque servir de teatro, vi uma plateia indo de fraudas a rugas em total silêncio, vi o temor dos novatos, vi a apreensão dos gaiatos.

Não é que a poesia do imaterial já não me sirva mais,
é que, me repito, a realidade tem compromisso comigo, mesmo eu e a literatura nunca tendo assinado compromisso com ela.

Insisto em poetizar mesmo assim
120 pessoas em cena. E pode isso?
Teatro pode tudo e ainda assim o temor de Clarice, a Lispector, não se concretizou, o peso das palavras não esmagou as entrelinhas.

Com um caderno e uma caneta ousei entrar no camarim.
O que passa na cabeça de cada um 10 minutos antes de deixar de ser si mesmo?
"-Me diz uma palavra. Qualquer uma. Vamos, não pensa muito", eu repetia apontando com o queixo os desavisados que passavam por perto;
Que ousadia, pedir uma só palavra. Que injustiça fazê-los escolher.
Nem me apresentava, para quê?
Senhorita jornalista do veículo tal = "bla bla blá, eu quero te usar como personagem apenas?" Não era isso que eu queria. Não é isso que eu quero.
Nada de reduzir pessoas a personagens. Histórias são reais, ainda que não tenham sido vividas. Sentimentos são reais.
Adélia Prado pegou o amor e socou no pilão com cinza e grão roxo para fazer remédio.
Eu só pedi uma palavra.

Elas ficaram espalhadas assim, livres como uma estrela perdida no céu de chuva que não veio: Amizade, magia, ameixa, banana, coração, alegria, vida, cores, nervosismo e amor... que se repetia sem cessar.

As cartas abertas, o palco aberto, a roda antes da estreia, mesmo com as mãos todas dadas....também aberta. Aí o grito só pra quem entende:
"MERDA!"

terça-feira, novembro 03, 2009

.Escola.


Para transformar as ondas em som é física
Para explicar felicidade é química
Para definir amor, não tem matéria

Sem ilusão na poesia batida do dia a dia
A palavra ficou gasta
O sentimento, talvez por isso, as vezes mudo.

Mesmo com a Lua cheia e âmbar às seis horas da tarde
Falta a voz, a presença, o abraço.
O céu me basta.
A luz me inebria
me completa,
me abastece.

quinta-feira, outubro 22, 2009

ÀS VEZES


Às vezes tenho idéias felizes,
Idéias subitamente felizes, em idéias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...
Por que escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?

Álvaro de Campos

Um pouco de referência para me fazer entender - o que leio é poesia, porque então o que eu escrevo seria diferente?!

sexta-feira, outubro 16, 2009

Pés no chão?

A recusa de criar raízes fez isso comigo:
Pés de chumbo de tanto saltar e brigar com a gravidade
Coração de aço de tanto insistir no salto
Cabeça dura pelo excesso 'nãos' vindo dos bancos das academias
Amor a terra por criar o ar
Paixão pela água por me transformar
Fogo queimando cada vestígio de recusa ao que o destino preparar


terça-feira, outubro 06, 2009

Tem um pouco de loucura no silêncio
Quando o grito pensa que pode mostrar rebeldia,
é o silêncio quem na verdade esconde desespero.

Aguardar em silêncio e receber silêncio em troca.
Que falta faz sentir as cordas vibrarem
Que falta faz ouvir um som que não é

Fica o pensamento enganando movimento
Fica a vontade de...
Fique a vontade

Paciência.
Falta-me espelho para enxergar tanta paciência,
Mas tenho, terei, tive.

Até pensaria em algo melhor para dizer
Mas estou em jejum de palavras,
em silêncio

quarta-feira, setembro 16, 2009

..sssstay..

Mora nela uma liberdade sem tamanho, sem definição e sem necessidade.
é que o que tem dentro já extrapolou e está fora,
e o que ela quer ainda não está preso dentro de letras.
Talvez o que ela queira é só sair por aí dançando com o vento
e se errar o ritmo sentar numa pedra bem alta e esperar a próxima brisa.
Leve que nem filhote de borboleta.

terça-feira, setembro 01, 2009

Introibum ad...

Nos delimites do corpo encaixa o infinito

Do pequeno que parte com destino ao átomo que simboliza o que não se sabe explicar.

É que a gente faz da ciência um cálculo exato, mas ela precisa do fascínio para existir.

Negar a amplitude, negar a beleza, negar tudo que vai além do globo...ocular...planetário...
Seria fácil demais.

Um coração de criança que insiste em acarinhar luzes, em jorrar reflexões.
Vão julgar louca, lisérgica e fora do real... Mas... Isso importa a quem exatamente?

Não quero o que está teorizado, mas o que não se pode explicar
Essa inquietude tem feito meus dias válidos
Somada as surpresas cotidianas quase fúteis que fazem renascer o assombro do olhar infantil.

Há que se moldar a um espaço que extrapola qualquer entendimento
Há que se viver sem planos em vários planos
e saltar... A cada instante de braços abertos ao desconhecido