domingo, junho 29, 2008

.Adestrar borboletas.

Se por um momento vc deixasse transparecer...
se por um segundo seu coracao fosse tão transparente quanto a cadência do vôo das borboletas...
Ah, eu amaria vc de novo.

Sei que a metamorfose é cientificamente exata e que minhas mãos não alteram mudancas tão peculiares...

mas se eu pudesse adestrar as borboletas da minha mente,

tiraria vc,

colocaria mais luz,

uns rostos desconhecidos,

umas músicas que ainda não atribuí à ninguém,

umas cores novas

e uns lugares inospitamente habitados.

Algumas contradições marcariam meu tempo,

e o vento teria um cheiro de chá branco e gengibre...

quarta-feira, junho 18, 2008

o.O

Deixe as cores,
Solte o som,
Diga sim,
Mostre os dentes,
Descabele-ce!
Congele o tempo,
Aprisione a luz...
Do alto da montanha,
O azul do céu ...
E faz de cada segundo
um mundo novo

quarta-feira, maio 28, 2008

"A insustentável leveza do ser"


O mais pesado dos fardos é, pois, simultaneamente, uma imagem da mais intensa plenitude da vida. Quanto mais pesado o fardo, mais nossas vidas se aproximam da terra, fazendo-se tanto mais reais e verdadeiras.

Quero que essa verdade invada, caia, afunde, como uma bigorna dos desenhos do papa-léguas.

Na terra, na lama, na areia, aonde for.

Plenitude, plenos pulmões pulsando, assoprando, cantando, catando, penas.


Inversamente, a ausência absoluta de um fardo faz com que o homem se torne mais leve do que o ar, fá-lo alçar-se às alturas, abandonar a terra e sua existência terrena, tornando-o apenas parcialmente real, seus movimentos tão livres quanto insignificantes.

(Milan Kundera)

Ah...Agora eu não quero mais a bigorna, quero asas, quero um planador, um pára-quedas, um pára-raios... Embora tudo isso que serve pra parar não deva parar minhas emoções, eu quero, eu quero!

Livre de livros, de livrarias, de livradores. Não quero me livrar, quero ser leve, insuportavelmente leve, de culpa, de dor, de memórias.
Teorias alheias, dogmas arcaicos, coisas dos outros... Não quero mais. Megalomania? Que nada, só pirofagia... Inquisição própria e seleta.

We'll have the live we knew we would... If every simple song I wrote to you would take your breath away, I'd write them all, even more in love with you I'll fall...

Iam rir da minha rima errada, iam ver que eu perco o tom, que não tenho rumo. Mas isso tem jeito. Queria que vissem que posso tirar a respiração, que posso mudar mais rápido ainda de sensação...Enfim, são apenas carcaças, apenas peles antigas, cores velhas, casulos antigos, de uma mesma borboleta...

segunda-feira, maio 12, 2008

.:: Volta pra Revolta ::.



Quando a gente se confunde com o pano de fundo

Tem história sem personagem mas não tem segundo sem imagem.

Acho que é divertido para Chronos fazer labirintos com paralelos universos se cruzando por aí.

Nossos sonhos, devaneios, receios, lembranças... Batidos num samba de segunda, em que eu sambo bem (a dois) por mim, e sozinha.

Penso, chego a uma conclusão: que eu existo eu sei, sei que nada sei e coisa e tal...

Mas se pensar remete a existência...A resistência é mórbida? É inválida e amebóide?

Resisto ao tédio, ao ócio, ao já conhecido, ao atingível, à tantas coisas... Mas se é em vão...

Vou me entediar, não fazer nada, ir aos lugares de sempre, fazer o mais fácil, e nada mais.

sábado, maio 03, 2008

.Pandora.


Não tem problema minha querida,
sei que só queria brincar.
Tudo bem, não chore, o sol vai nascer de novo,
calma, por favor não se desespere, as cores vão voltar...
Respire, me dá um abraço, vem cá. Pronto, vai ficar tudo bem.
Eu sei, eu sei, não se culpe coração, eles tinham asas, não tinha como impedí-los...
Meu amor, não fique triste.
Veja! Ainda tem um filhotinho dentro da caixa, parece uma fêmea!
Não tenha medo, ela não vai te abandonar, é só cuidar bem dela.
Florzinha, dê um nome a ela, esqueça os outros, está tudo bem agora.
Ela não quer brincar? Parece estar meio fraca...
(Que será que ela come?)
Vamos alimentá-la!
Com o que? Ah...O telefone está tocando, já volto, minha vida...
Quando não houver esperança,
Quando não restar nem ilusão,
Ainda há de haver esperança!
Em cada um de nós algo de uma criança...

quarta-feira, abril 16, 2008

.: Meu vício agora é o passar do tempo :.

Alçar vôo, mudar de espaço;
Mudar o espaço, voltar pro chão.
Tocar o céu, encantar a terra;
Confundir as cores, fechar os olhos...
O preto no branco dos olhos,
no escuro é quase tudo igual,
Não faz mal...
A aurora passa, o dia acaba,
e vai ficar tudo igual...
ou não,
quem tem asas... Vai mais longe... muito mais.

sábado, março 22, 2008

.O peso do medo.

O medo pesa mais que a física.
Faz a gente arranjar desculpas, criar impecílios, atrasar emoções...
Quando na verdade sabemos estar apenas fugindo.
A ponte é precisa, pensar é preciso.
O balanço dá enjôo, mas a rota vale o risco.
*
-Pare de falar essas coisas ou eu vou dizer para todo mundo que vc tá ficando louca!
-É mesmo?
-É! e aí ninguém mais vai acreditar em você!
-Loucura dá ibope.
-Você que pensa!
-Olha a Maísa do sábado animado!
-Mas ela é criança!
-Eu também !!!
*
Existe um mundo maior tão perto da gente que me fez acreditar na teoria das super-cordas!
Aquele mundo embutido nos livros, e filmes e histórias... Mas ele parece ser menor que o nosso, cabe em linhas, em páginas... Só que leva a gente pra tão longe e abre tanto a cabeça que hoje existem programas televisivos destinados a contrair essa expansão (BBB...)
*
True love is like fairies: it is not something I believe in, but it still charms me.

segunda-feira, março 10, 2008

Trouxeste a chave?

Essas figuras de formas engraçadas,
simétricas, perfeitas, curvilíneas e ecantadoras...
As mentes então...Perspicazes, perigosas, sagazes...
E também cheias de curvas, esconderijos...
Curiosas, perdidas, compreensivas, ilimitadas,
mas entendê-las, é labirinto, é cilada.

Mecho, remecho, na inquisição,
só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão...
Fama de porra-louca, tudo bem...

sábado, março 01, 2008

.: Esqueci :.


O papel é solúvel,
O livro fica velho,
A informação é eterna se a formação do leitor permitir.

O marca-páginas é incerto, é humano, é racional e bipolar...Inconstância que depende dos números escolhidos por dedos inertes.


A gente tenta marcar onde parou pra não ter de ler tudo de novo, a gente tenta poupar tempo, poupar sentimentos, poupar visão... Mas é tão bom viver de novo as mesmas palavras, sentir os mesmas borboletas na barriga, sentir um abraço olhando nos olhos...




E o seu afeto me afetou, é fato.




sábado, fevereiro 23, 2008

..:: Poisoned Heart ::..

Mau humor contagia
Arrogância pega
Prepotência influencia
Desatenção desnorteia
Amor demais vicia
Possessividade destrói
Saudade mata
Paixão corrói
História acaba
Lembrança vive eternamente
Caneta estoura
Música acalma
A luz acende
A idéia acaba.

Because everybody has a poisoned heart...